Trocando o Bastão

“O consenso é a negociação da liderança.” Margaret Hilda Roberts Thatcher, ex-primeira ministra britânica.

Quando exercemos a presidência da Sobrames Nacional (1998-2000), procuramos valorizar o momento solene de posse da nova diretoria. Pensamos num símbolo que o presidente deveria receber que significasse não somente a transferência do poder, do mandato, mas igualmente a responsabilidade do cargo assumido. O símbolo sempre encerra algo de ilustrativo e de pedagógico, além de tornar visível o que por vezes é inaparente.

Assim, a exemplo da tradição que vige, há décadas, na Sociedade Brasileira de Urologia, criamos uma avantajada medalha cujo nome demos de Eurico Branco Ribeiro, nada mais nada menos do que o fundador e patrono da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Ela seria única e passaria de presidente a presidente, representando suas atribuições estatutárias enquanto tais. Não seria dele, mas ele a carregaria até o final de seu mandato, quando a entregaria solenemente ao seu sucessor.

Essa singela tradição ocorreu subsequentemente por três ocasiões (2000; 2002 e 2004), sendo ignorada, infelizmente, no XXI Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, realizado em Maceió – AL (2006), prática essa que foi substituída pela colocação de uma faixa escapular em diagonal ao tronco.

Lembramos que o confrade Walter Whitton Harris, enquanto presidente da Sobrames de São Paulo (1999-2000), inspirado no exemplo da Sobrames Nacional, ficou igualmente estimulado em criar um símbolo de transmissão do cargo de presidente por ocasião de sua posse. Após refletir sobre o assunto, resolveu criar um bastão. Sim, a entrega de um bastão, artisticamente entalhado, seria o símbolo da posse solene do presidente e de sua diretoria.

Sua alegoria tem inspiração no atletismo, nas corridas de revezamento, em que os atletas correm na pista dando o máximo de si em seu percurso e, à medida que um vai se aproximando do ponto de partida, outro membro de sua equipe já começa a correr paralelamente para pegar o bastão em andamento, não perdendo tempo, objetivando também dar, da mesma forma, o máximo de si, situação essa que se repete por mais duas vezes com outros atletas.

Na Sobrames – SP os atletas são as sucessivas diretorias coordenadas pelo seu presidente, que se revezam nos mandatos, procurando fazer o melhor que podem pela entidade. Na presente gestão, procuramos dar largada antecipada, correndo paralelamente para pegar o bastão no movimento da corrida, pois temos participado, há meses, de diversas reuniões da diretoria que nos antecedeu, como também convocamos, após a nossa eleição, em setembro passado, três reuniões oficiosas com a chapa que ora está empossada.

Torna-se preeminente salientar que o bastão na Sobrames – SP, que representa o comando da entidade, não deve ser carregado ou atribuído apenas ao seu presidente. Por isso, fizemos questão ao tomar posse solene na Pizza Literária de 21 de dezembro de 2006, de não somente segurarmos isoladamente o bastão, mas propiciar a todos os membros da diretoria que o fizessem. Esse pequeno gesto simboliza que, em nossa chapa – “Amor à Sobrames – SP” –, todos os membros da diretoria, indistintamente, terão voz e vez, ou seja, que o poder será descentralizado e extensivo a todos pela força da democracia, e não pela democracia da força, em consonância com uma filosofia de trabalho participativa nas ações e resultados, pois nada mais desonroso do que assumir cargos meramente de forma perfunctória.

Com isso almejamos um trabalho de equipe em que cada qual, ao dar do melhor de seus dons, completa as deficiências de outrem, contribuindo sinergicamente para a causa da Sobrames paulista. Com melhores palavras se expressou Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo e escritor francês: o homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.” Na contramão dessa máxima, encontra-se outra, infelizmente aterradora e verdadeira, de outro escritor francês – Luc de Clapiers Marquis de Vauvenargues (1715-1747): “os homens estão dispostos a ser prestáveis até ao momento em que têm poder.” Que Deus nos livre dessa última e nos dê, além de sabedoria e humildade, o despojamento de sabemos ser meramente efêmeros.

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Diretoria executiva da Sobrames – SP, biênio 2007-2008. Da esquerda para a direitaLigia Terezinha Pezzuto, Maria do Céu Coutinho Louzã, Josyanne Rita de Arruda Franco, Helio Begliomini, Evanir da Silva Carvalho eMarcos Gimenes  Salun. 

[*] O Bandeirante. Ano XV – no 170 (janeiro): 1, 2007.

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