Imuvi Em Suas Bodas de Pérola [1]

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Só existem dois dias no ano, que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.” Dalai Lama (1935-), monge budista; líder temporal e espiritual do povo tibetano.

Lembro-me, quando criança, que escutava reiteradas vezes minhas avós e tias dizerem que o “tempo passava muito rápido!”. Além de não ter, à época, noção precisa do que isso significava, pois, na infância e juventude, parece que o tempo é eterno ou quase… às vezes ficava molestado com a mesma e monótona cantilena.

A verdade é que quando atingimos a maioridade, percebemos que o carro de bois do tempo começa a andar; quando chegamos aos 30 anos parece que estamos pilotando um carro de segunda mão; aos 40 percebemos que nosso carro é novo – zero quilômetro!; aos 50 passamos a dirigir um carro de fórmula 3; aos 60 de fórmula 2; aos 70 a sensação é que estamos pilotando um carro de fórmula 1 pela velocidade que atinge; e aos 80 anos os mais – suponho – que não mais estejamos pilotando, mas sim, sendo conduzidos dentro de um avião ou até mesmo no interior de um foguete, que em pouquíssimo tempo – talvez mesmo na velocidade da luz! – ligará dois pontos remotos: origem e destino, outrora – na infância e na adolescência –, aparentemente muitíssimos distantes e até inimagináveis que um dia pudessem ser unidos, e, agora, na senectude, posicionam-se verdadeiramente em rota de abrupta colisão!

Acredito que um dos predicados da maturidade é ter nítida e precisa essa percepção sobre a velocidade do tempo e a fugacidade da existência. Hoje, não é incomum dentro de casa, no trabalho e com amigos, exclamarmos expressões similares àquelas que nossos velhos e queridos parentes reiteradamente diziam: “O tempo passa rápido”; “O tempo passa muitíssimo rápido!”; “O tempo é veloz”; “O tempo é curto”; “O tempo é pequeno” ou ainda, o “O tempo é breve”.

Pode-se dizer que essa mesma sensação de efemeridade do tempo tenho com o Instituto de Medicina Humanae Vitae – Imuvi. Fundado em 13 de março de 1988, nasceu, à época, como proposta alvissareira e paradigmática: concentrar num único espaço, o maior número possível de profissionais médicos e paramédicos de boa formação, nas mais diversas especialidades, que, cada qual a seu modo, objetivasse o tratamento e a prevenção de doenças e, consequentemente, melhoria das condições de saúde dos pacientes, além de exames subsidiários pertinentes a um atendimento ambulatorial.

Não resta dúvida nenhuma de que o Imuvi foi não somente revolucionário e pioneiro, mas também ousado em seus propósitos, não apenas na zona norte da pauliceia, mas também em toda a capital! Por muitos e muitos anos o período de atendimento de consultas agendadas, rotineiras, se estendia das 7 às 22 horas, de segunda a sexta-feira, e, aos sábados, até às 18 horas, prática inédita e somente descontinuada em consequência exclusiva da compatibilização de custos.

Pari passuà boa formação do corpo clínico, a atuação dos profissionais que labutam no Imuvi se faz com liberdade e respeito – sem interferências coercitivas –, além de se gozar de um muitíssimo agradável ambiente de trabalho. Os funcionários, devidamente treinados e que se desdobram em dar todo o suporte ao trabalho desenvolvido, são também responsáveis pelo clima cordial e de respeito que se sente no dia a dia do Imuvi. Pode-se, sem sobra de dúvida, afirmar que para a grande maioria dos profissionais e funcionários que trabalham no Imuvi, se tem a sensação de que aqui é uma segunda residência ou mesmo extensão do próprio lar!

Este ano de 2018 marca as Bodas de Pérola no Imuvi! Nesta tradicional e respeitada instituição médica já se efetuou o cadastro de mais de 380.000 pacientes (!) e já foram realizadas mais de 1.700.000 consultas (!!!), sem contar com um número muitíssimo maior de exames subsidiários. Ademais, o Imuvi não somente tem contribuído para a formação e o aprimoramento profissional a centenas e centenas de jovens, como também foi e tem sido auxílio no orçamento mensal não somente deles, mas também de suas famílias.

As pérolas são joias originadas em consequência de um processo inflamatório interno às ostras, como resultado de um mecanismo de defesa desses singelos moluscos. Assim, um corpo estranho em seu interior é envolvido com diversas camadas de madrepérola – uma substância dura e rica em calcário. Metaforicamente, comemorar 30 anos de existência de uma instituição, não deixa de ser o enfrentamento diuturno de “corpos estranhos invasores” que competem ou dificultam a sua existência ou mesmo subexistência! Dentre eles não se pode deixar de citar a luta, sem tréguas, junto aos convênios pela remuneração profissional digna; a elevada, diversificada e sufocante carga tributária dos governos municipal, estadual e federal: as exigências constantes de adequadas e aprimoradas condições de trabalho; ampla logística de suporte local e de retaguarda para que tudo funcione a contento; busca permanente da excelência mediante um público cada vez mais exigente; mercado cada vez mais competitivo, dentre outros fatores.

Pode-se assegurar que o ambiente permeado pelos predicados da ética profissional; respeito ao próximo; seriedade, simplicidade, transparência e honestidade que se vive no Imuvi foram patrimônios que seus fundadores herdaram de seus genitores – Alfio Begliomini (Figura 1) e Olga Begliomini (Figura 2), alicerces invisíveis, sem os quais nada do que se construiu material e imaterialmente existiria!

Figuras 1 e 2 – Alfio Begliomini e Olga Begliomini.

Trinta anos é um tempo suficientemente adequado para que uma criança se transforme em adolescente; atinja a beleza e o vigor da juventude; passe rapidamente para a idade adulta; case-se e pode multiplicar-se em descendentes. E essa metamorfose foi vivida e acompanhada por muitos que trabalham há anos no Imuvi! Vários médicos que conosco somam a muitos anos a fio – anteriormente jovens, repletos de vitalidade e de sonhos –, viram, nesse período, não somente seus filhos crescerem e terem a alegria de vê-los formados, alguns, como eles, igualmente médicos – gáudio singularmente inefável! – como também a experiência insólita de tê-los trabalhando consigo – no Imuvi – a mesma instituição que outrora os acolheu!

A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo” consignou certa feita o afamado poeta, tradutor e jornalista Mario de Miranda Quintana(1906-1994). Nesse clima de saudosismo e de gratidão, extensivo a todos os funcionários e profissionais que aqui atuaram e atuam, fazendo das dependências do Imuvi uma segunda morada, faz-se necessário evocar a memória de algumas diletas pessoas que, com suas presenças e abnegado trabalho, marcaram a saga desta tradicional instituição de saúde:

João França(Figura 3), parente do antigo dono da casa onde se alojou inicialmente o Imuvi (prédio antigo), apesar de sua idade avançada e de já estar aposentado havia muitos anos, tinha, despretensiosamente, prazer em servir e de ser útil a quem quer que fosse. Atuou não somente como uma espécie de zelador, de guardião, mas muito mais do que isso, foi um amigo, conselheiro e até pai para muitos que dele se aproximaram. Seu falecimento, em 2 de julho de 2008, deixou uma lacuna não preenchida!

Clarice Aparecida Amador(Figura 4) foi por diversos anos não somente a responsável pela recepção e pelo treinamento dos funcionários, como também pela sua experiência de vida, tornou-se uma verdadeira mãe e conselheira para diversos jovens inexperientes, que dela necessitavam de orientação ou de um ombro amigo para compartilhar suas tristezas e necessidades. Com ela o Imuvi sedimentou sua atuação em treinamento técnico, humanístico e educacional, tornando-se verdadeira escola, que por muitas vezes alavancou curricularmente diversos jovens em outras oportunidades de trabalho.

 Dina Maria Joaquim Pereira(Figura 5) atuou diversos anos no Imuvi como responsável pelo setor de enfermagem e, simultaneamente, em plantões noturnos no Conjunto Hospitalar do Mandaqui. Apesar do cansaço que por vezes esboçava, não media esforços para melhor desempenhar suas funções com disciplina, alegria, discrição e respeito. Constitui-se em exemplo de garra e de superação, visto que de origem humilde, havia atuado como doméstica para sobreviver, galgando com esforço e méritos próprios a graduação universitária, sonho que acalentou e que conquistou a duas penas!

 

Figuras 3 a 5 – Da esquerda para a direita: João França, Clarice Aparecida Amador e Dina Maria Joaquim Pereira.

Por fim e também para representar todo o corpo clínico, não posso deixar de mencionar e enaltecer com muito orgulho, três médicos já falecidos, que atuaram no Imuvi com destacado brilho e galhardia, mesmo com o inexorável avanço da idade. Eles foram não somente reconhecidos e elogiados pelos seus pacientes, como também pelos funcionários e colegas de trabalho. Amaram muito a medicina e a ela se dedicaram com alegria, ética, esmero e competência, tornando-se paradigmas a todos os que tiveram o privilégio de compartilhar de sua amizade e atuação. Eles foram exemplo do salutar uso dos predicados que compõem o humanismo no relacionamento médico-paciente – prática pouco em voga atualmente, infelizmente! –, testemunhando o quanto esse conjunto de virtudes é necessário e imprescindível na abordagem e na melhora daquele que padece. Os nomes desses diletos filhos de Hipócrates são: Fernando Lysio Badaró(1927-2014, Figura 6), Ângelo Alfredo SeveroBorrelli(1927-2014, Figura 7) e Francisco José Schurig Vieira(1935-2014, Figura 8), este, também ex-professor universitário.

Figuras 6 a 8 – Da esquerda para a direita: Fernando Lysio Badaró, Ângelo Alfredo Severo Borrelli e Francisco José Schurig Vieira.

Testemunhando o bom ambiente que reina no Imuvi, assim como manifestar, reconhecer e compartilhar a alegria pelos 30 anos deste centro médico, é com satisfação que declino os nomes dos funcionários que aqui trabalham há muito tempo e também fazem parte desta história.

Mais de 20 anos: Valdelice de Lima Daniel(29),Márcia Rodrigues Nobre(29), Ana Cristina do Carmo (28), Fabiana Aparecida da Silva Moreira(28),Eliomar de Oliveira Santos(27), Maria de Jesus da Silva Rabelo(25), Adriane de Oliveira Freitas(22) e Diarlete R. de Lima A. Monteiro(20).

Mais de 10 anos: Ana Maria da Costa(18), Alessandra Alves Moreira(17), Eugênia Rita Fátima da Silva(12) e Vinícius Almeida da Cunha Feliciano(12).

Mais de cinco anos: Rosemeire Aparecida Amparado(9), Carlos Eduardo Antonio Martins(8), Eliane de Carvalho(7), Patrícia Dantas Santos Jutglar(7), Cleydiane Pires de Lima(7), Rosana Helena Juditi(7), Mariana Pedroso de Oliveira(6), Ana Zita dos Ramos Freitas(5) e Giovanna da Silva Ramos(5).

Ω

Funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços no Imuvi há mais de 5 anos: Manoel Cunha(30), Rozineide Vaz dos Santos(26), Odete da S. Pereira(21), Marcos Pagani de Araújo(20), Lauro Cadurim Júnior(17), Marco Antonio Cabezas(14), Maria do Socorro Bezerra(13) e Maria do Socorro Carlos(8).

Ω

Da mesma forma, é com satisfação, gratidão e homenagem que enuncio os profissionais que tem feito do Imuvi seus consultórios ou aqui têm atuado em serviços de diagnósticos ou de tratamento complementar há mais de 20 anos: Helio Begliomini(30), Maria Conceição Albano Ferreira(30), Jorge Garrote Paiva(30), Odair da Silva Albuquerque(24), José Maximiano de M. Barbosa(24), Hilton de Araújo Passos(24), Maria Ausinda Teixeira Maia(22), Aidely Alves(22), Fernando Petroucic(22), Jairo Aníbal Mendes de Oliveira(22) e Carlos Albino Vasconcelos(22).

Mais de 10 anos: Ailana Mezzacapa(18), KiyoshiAgena(18),Oswaldo Angel Bellido Rios(18), Benny Apelbaum(18), Tony Gouveia Vasconcelos(18),Caio Rogério Simão(16), Elaine Cristina Paixão(16), Elaine Pelegrini Ferreira(15),Daiane Damasceno Gonçalves(15), Carlos Eduardo Chaves(14), Adilson Joaquim Viegas Pires(12), Sônia Mitiko Anzai(11),Katia Soraya Barbosa Knebel(11), Adriano Luiz Guerra(11), Fábio Marangoni Gil(10) e Joara Harada Salgado(10).

Mais de cinco anos: Maria de Lourdes Duarte(9), Rogério Petrassi Ferreira(9),José Pedro B. Gonçalves(7), Francisca Verônica Jales Coan(6), Marília Araújo Esteves(6), Michel Mandelman(6) e Yussef Mourad(6), dentre muitos outros que iniciaram suas atividades há menos tempo.

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Finalizando, aduzo o pensamento leve e ao mesmo tempo penetrante, muito adequado a essas Bodas de Pérolas do Imuvi, da Maria Julia Paes de Silva, professora de enfermagem da Universidade de São Paulo e escritora:“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Muito teria para falar e para agradecer, mas tenho certeza que todos nós, imuvianos, temos guardado em nossos corações muitíssimos momentos singulares, inolvidáveis e intensos, depreendidos da vivência neste prolífico centro de medicina.

Que Deus continue abençoando o Imuvi e a todos que aqui trabalham em prol de nossos semelhantes que padecem!

 

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Um comentário em “Imuvi Em Suas Bodas de Pérola [1]

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  1. Fiquei emocionada com a homenagem ao meu pai, Dr Francisco José Schurig Vieira. Ele foi muito feliz na época em que trabalhou no IMUVi.

Obrigado!

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