Saudação
Ilustríssimos senhores:
Acadêmico José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Academia de Medicina de São Paulo.
Acadêmico Sérgio Bortolai Libonati, secretário adjunto da Academia de Medicina de São Paulo, em seu nome saúdo os acadêmicos presentes.
Acadêmico Jorge Carlos Machado Curi, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina e titular da cadeira no84, cujo patrono é Zeferino Vaz.
Senhor Walter Caveanha, prefeito de Mogi Guaçu, em seu nome saúdo todos os familiares, amigos e convidados do recipiendário.
Doutor general-de-brigada Sergio dos Santos Szelbracikowski, urologista e diretor do Hospital Militar de Área de São Paulo.
Doutor Sebastião José Westphal, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, em seu nome saúdo os colegas urologistas presentes.
Doutor Antonio Carlos Lima Pompeo, estimado recipiendário e amigo.
Ω
Introdução
Como exórdio à minha fala, trago um aforismo não muito conhecido do genial físico Albert Einstein, que muito se aplica à reflexão, não somente a quem teve e tem a honra de ser eleito recipiendário de algum silogeu, mas também a todos aqueles em empreendem esforços para deixar como herança, um mundo melhor!
“A fama é para os homens como os cabelos – cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia.” Albert Einstein (1879-1955), galardoado com o Prêmio Nobel de Física, de 1921.
As academias são entidades singulares! Surgida na antiga Grécia, no longínquo século IV a. C. (387 a. C.), com o renomado filósofo Platão (427-348 a.C.), tem atravessado séculos, primando não somente pela busca do saber, pela divulgação do conhecimento, mas também pela salutar convivência de seus membros.
No mundo moderno, as academias têm como paradigma estrutural a renomada Académie Francaise, fundada em 1635 por Armand Jean Du Plessis (1585-1642), mais conhecido por cardeal Richelieu, que foi durante 12 anos o primeiro ministro do rei Luís XIII (1601-1643). Portanto, com vida e glamourininterruptos por quase 400 anos (!!!), é composta por tão-somente 40 membros – conhecidos como Immortels (“Imortais”) –, e nasceu com o objetivo de tornar a língua francesa “pura, eloquente e capaz de tratar das artes e ciências”.
E o que diferencia as academias de quaisquer outras instituições? Basicamente duas premissas: 1. São sodalícios formados por um número muito restrito de membros, necessariamente alojados em cadeiras, cada qual reverenciando a memória de um patrono ou patronesse que contribuiu sobremodo à atividade precípua da Academia. 2. A cada acadêmico é-lhe assegurada a prerrogativa da vitaliciedade. Em outras palavras, a substituição de um membro se dará tão-somente com a vacância de uma determinada cadeira, ocasionada pelo falecimento de seu ocupante. Ademais, essa substituição é obrigatoriamente realizada através de escrutínio secreto por membros do sodalício, que elegerão um candidato em função de seus méritos e contribuições.
A quem é alheio à significância das Academias, logicamente pensa que elas se posicionam na contramão organizacional de outras instituições, que buscam quantidade ou superlotação de seus quadros. Isso realmente não ocorre com as Academias, pois elas almejam uma seleta, meritória, reconhecida, diversificada, acendrada e inquestionável qualidade de seus membros.
A Academia de Medicina de São Paulo, que este ano já completou seu 124oaniversário de ininterrupta e profícua existência – a quarta entidade médica em atividade mais antiga do Brasil (!), tem albergado desde o seu nascedouro ilustres esculápios que se destacaram no exercício da profissão; que atuaram ou que atuam como cientistas, pesquisadores e professores universitários ou em hospitais de ensino; que dirigiram ou dirigem serviços especializados, hospitais e faculdades, ou que governaram universidades; que desempenharam ou desempenham os mais diversos cargos e funções governamentais atinentes ao município, ao estado e à nação; que integraram ou que integram com destaque inúmeras sociedades de especialidades; que dignificaram ou dignificam entidades de defesa da classe, tais como o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a Associação Paulista de Medicina (APM), o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Ademais, muitos de seus membros igualmente se destacaram ou se destacam como escritores, pensadores e intelectuais de escol, pois também pertenceram ou fazem parte de renomadas entidades científicas internacionais, assim como de silogeus literários e culturais, que lhes conferiram significativas honrarias e homenagens.
Esse inestimável e multiforme cabedal curricular – ético, científico, histórico, educacional, cultural, intelectual e profissional –, dificilmente passível de se reunir em quaisquer entidades de classe, tem se constituído secularmente – sem dúvida alguma!!! – no maior patrimônio da Academia de Medicina de São Paulo, que é catalisado sinergicamente com outras entidades afins para o contínuo aprimoramento e dignificação do mister hipocrático.
Patrono da Cadeira no62
Dentre tantos renomados e ilustres membros imortais, que habitam nesta casa encontra-se a figura indefectível de Vital Brazil Mineiro da Campanha(1865-1950, Figura 1), que ingressou nos albores deste silogeu, precisamente em 1ode maio de 1895, contando, à época, com 40 anos! Vital Braziltrabalhou em São Paulo ao lado de Adolfo Lutz (1855-1940), Oswaldo Cruz (1872-1917) e Emílio Marcondes Ribas (1862-1925), outros expoentes do passado e também entranhados na saga desta veneranda e querida Academia de Medicina de São Paulo.
Vital Brazilatuou como médico, pesquisador, bem como no combate à peste bubônica, ao tifo, à varíola e à febre amarela. Fundou e instalou o Instituto Butantan, que se constituiu num dos mais renomados centros de pesquisa do Brasil. Aí, com parcos recursos, realizou importantes pesquisas, bem como a produção de soro antipestoso e de medicamentos. Tonou-se mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico, assim como pelo tratamento da picada de escorpião.
Ademais, fundou um centro de pesquisas em Niterói (RJ), que hoje leva o seu nome. Ele, assim como diversos outros diletos filhos deste imenso país continente, mereceria, sem dúvida alguma (!) o reconhecimento com o Prêmio Nobel de Medicina, o que infelizmente não aconteceu.
Recipiendário da Cadeira no62 – Antonio Carlos Lima Pompeo
As Academias vivem também em ritmos ciclotímicos paroxísticos: Se por um lado, lamentam o passamento de seus membros, que galgaram a imortalidade através de uma vida exemplar e obras que deixaram, por outro, se alegram com a renovação de seus quadros dada pela chegada de novos eleitos, robustecendo-se.
Hoje, a Academia de Medicina de São Paulo vive em glamorosa festa, com o preenchimento da vaga da cadeira no62, ocasionada pelo falecimento precoce da estimada acadêmica Rozeane Luppino (1954-2017, Figura 2).
O eleito para ocupar a cadeira no62 é o ilustríssimo médico Antonio Carlos Lima Pompeo(Figura 3), mais conhecido carinhosamente por Pompeo, por todos aqueles que tem ou já tiveram o privilégio de privar de sua amizade, o que já de per sedenota simplicidade e despojamento de sua pessoa.
Figuras 1 a 3 – Da esquerda para a direita: Vital Brazil Mineiro da Campanha, Rozeane Luppino e Antonio Carlos Lima Pompeo.
Convidado por ele para saudá-lo nesta insólita efeméride, confesso que me abateu um sentimento mesclado de muita alegria e honra, mas também de timidez, medo e grande responsabilidade diante da minha pequenez comparada tão célebre profissional, sem dúvida alguma, um dos grandes titãs da urologia brasileira da atualidade!
Conheci o doutor Pompeohá cerca de quarenta anos. Eram tempos de minha especialização e de início de atividade como médico. Eu, ávido por conhecimentos e por me tornar um bom profissional, participava de inúmeros cursos, simpósios e congressos de minha especialidade e, dentre os distintos palestrantes em diversos desses encontros paulistas e nacionais, já despontava o jovem e talentosoAntonio Carlos Lima Pompeo, que ombreava com estrelas de primeira grandeza da contemporaneidade.
Pompeo sempre se destacava e se destaca em suas preleções pela dedicação ao estudo, elevado grau de conhecimento, didatismo, precisão e clareza, predicados que resultam, necessariamente, em credibilidade e convencimento do que profere em suas explanações. Aliás, neste contexto, vale a pena recordar o que o genial físico, astrônomo e filósofo italiano Galileu Galilei (1564-1642) já dizia: “Falar obscuramente, qualquer um sabe; com clareza, raríssimos”.
Graduado em medicina, em 1968, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), fez residência em cirurgia geral (1969-1970) e em urologia (1971-1973), no renomado Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC – FMUSP).
Sedento por mais aprimoramentos,Pompeorealizou após a sua residência,fellowno Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA, 1975) e, em urologia, na França, no Centre Medico Chirurgical de la Porte de Choisy, da Universidade de Paris (1977).
Não satisfeito, estagiou em outras 10 renomadas instituições da Europa e dos Estados Unidos da América, destacando-se dentre elas: Hôpital Saint Joseph(Paris – França, 1977); The Hospital for Sick Children(Londres – Inglaterra, 1978); Freie Universitat Berlin Urologische Klinik und Poliklinik(Berlim – Alemanha, 1981); Roswell Park Memorial Minnesotta(Minnesotta – EUA, 1983); e The Cleveland Clinic(Ohio – EUA, 1985).
Antonio Carlos Lima Pompeo dedicou-se à carreira universitária na FMUSP, onde obteve seu mestrado (1979), doutorado (1986), livre-docência (1993), bem como aprovação, mediante concurso, para professor titular (2005). Aí atuou como professor de graduação e de pós-graduação por 35 anos (1974-2009), sendo orientador de 11 mestrandos e 9 doutorandos, além de ter sido convidado a participar de inúmeras bancas examinadoras de mestrado, doutorado, livre-docência, assim como de professor titular em diferentes universidades do país.
Sempre interessado por ensinar foi também professor associado da disciplina de urologia da Organização Santamarense de Educação e Cultura (Osec, 1979-1983), assim como professor de graduação, pós-graduação, regente e, finalmente, aprovado em concurso, para professor titular de urologia da Faculdade de Medicina do ABC (2010).
Pompeo já consignou para a posteridade 17 livros, sendo 14 sobre temas urológicos; um sobre ética médica; um sobre aspectos da política associativa da Sociedade Brasileira de Urologia, e outro de memórias – “Meus Tempos no Guaçú”, que fê-lo membro titular da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames). Ademais, ao conjunto de sua extensa obra consignam-se 209 trabalhos científicos publicados no Brasil e no exterior, 99 dos quais, catalogados no PubMed.
Não se pode relegar a um segundo plano sua atuação como editor das “Recomendações sobre o Câncer de Próstata” e “Câncer de Bexiga”, bem como das revistas científicas “Ciência[2]” e “Uro-ABC”. Ademais foi coeditor de dois renomados periódicos internacionais: “International Journal of Urology” e “Urology”.
Além de membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Antonio Carlos Pompeofoi aceito como membro das mais importantes entidades da especialidade no mundo: Confederación Americana de Urología(CAU), American Urological Association(AUA), Societé Internationale D’Urologie(SIU) e European Association of Urology(EAU), bem como, mercê de serviços prestados, foi galardoado com o título sócio honorário de sete sociedades latino-americanas de urologia: Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e República Dominicana.
Como já havia mencionado anteriormente, nosso recipiendário também se destaca como grande orador, tendo realizado, a convite, mais de 600 palestras e conferências no Brasil e no exterior! Se, para o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821), o “maior orador do mundo é o sucesso e o bom êxito”, não tenho dúvidas em afirmar que Pompeoconquistou, pelos seus méritos, muito êxito e sucesso em tudo que empreendeu profissionalmente.
Contudo, tampouco posso olvidar do quanto Pompeotem se dedicado à vida associativa. Dentre os principais cargos e funções que desempenhou salientam-se:
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Na Associação Paulista de Medicina (APM) foi coordenador de promoções (1979-1981); 1osecretário (1985); e presidente (1986-1987) do Departamento de Urologia.
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Na Confederación Americana de Urología(CAU) foi o coordenador do Departamento de Bolsas de Estudo (educação continuada) para urologistas latino-americanos.
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Na Société Internationale D’Urologie(SIU) foi membro da diretoria e presidente do Comitê de Publicações, tendo editado as “Recomendações Internacionais sobre Câncer do Pênis” (2009).
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Na Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) possui uma extensa folha de serviços prestados: diretor do Departamento de Oncologia (três gestões); diretor do Comitê de Ética Médica e Defesa Profissional (2006-2007); diretor da Comissão de Relações Internacionais (2008-2009); coordenador do Departamento de Integração Associativa (2018), assim como membro da Comissão Científica de vários congressos nacionais da especialidade. Ademais, é atualmente o vice-presidente (2018-2019) e o presidente eleito para o biênio 2020-2021, dessa pujante entidade, que caminha a passos largos para seu centenário de fundação, congregando 5 mil membros!


Obrigado!