“Unidos venceremos. Divididos, cairemos.”
Esopo (620 a.C.-564 a.C.), escritor da Grécia Antiga, autor de várias fábulas populares, considerado o criador desse gênero literário.
Leia mais: Unidos – Seremos Mais Úteis![1]Por incrível que possa parecer, nem sempre é tão simples escolher um lema para encabeçar uma diretoria, pretendendo dar um norte ou um sentido a um mandato.
E esse slogan, que necessariamente deve ser sintético, deve não somente resumir um objetivo, um ideal, mas também soar como um “hino de guerra”, constituindo-se num denominador comum, verdadeiro estímulo aos participantes de uma chapa.
No lema escolhido para esta gestão 2023-2024 – “Unidos – Seremos Mais Úteis!”, há duas palavras mui caras a mim, que seria de bom alvitre explicitá-las. A primeira delas é o verbo “unir” e, por união entende-se “colocar em contato(o que está separado ou disperso); aproximar, reunir, juntar, ligar; estabelecer harmonia conciliar”, condições nem sempre fáceis de se obter.
Para Leonardo da Vinci (1452-1519), célebre pintor, escultor e arquiteto italiano, “Para estar junto não é preciso estar perto, e sim, do lado de dentro”.
Nós, médicos, não podemos esquecer que nossa profissão é ontologicamente mesclada por ciência, arte e humanismo. Assim, possuímos um predicado inerente ao nosso mister, que pode facilitar essa tarefa, explicitado no pensamento Leon Tolstói (1828-1910), um dos mais renomados escritores russos: “A arte é um dos meios que une os homens”.
Por sua vez, não se pode confundir “unir” ou “união” com “uniformidade”, que também significa “ausência de variedade, de diversidade, de multiplicidade”. Não, absolutamente! Entende-se por “união” a certeza de objetivos maiores comuns, embora nem todos possam concordar com tudo e em todo tempo! Ilustrando esse enfoque, vale a pena citar as palavras de Octavio Paz Lozano (1914-1998), mexicano e Prêmio Nobel de Literatura de 1990: “O que põe o mundo em movimento é a interação das diferenças, suas atrações e repulsões; a vida é pluralidade, morte é uniformidade”.
Outra palavra que tem uma significativa conotação nesse lema é “útil”. Ser útil é o “que traz proveito, vantagem; de que resulta o que se espera; é ser proveitoso, profícuo, vantajoso”. É de René Descartes (1596-1650), filósofo, físico e matemático francês, essa cruel assertiva: “É propriamente não valer nada, não ser útil a ninguém”.
Acredito que ser útil para o homem – um ser necessariamente racional e sentimental, vai mais além, pois é um “divisor de águas”. Penso que o homem começa realmente a fenecer, quando se torna ou percebe que está se tornando inútil. E neste contexto, “inutilidade”, não é sinônimo de deficiência física ou ser portador de necessidades especiais. Pelo contrário! Há muitos indivíduos nessas condições que são mais úteis e realmente mais eficazes e produtivos do que inúmeros outros considerados “normais”.
Assim, escolhemos esse mote “Unidos – Seremos Mais Úteis!”, para conclamar não somente os membros desta diretoria (2023-2024), mas a todos que tiveram a honra de ser eleitos à vetusta e querida Academia de Medicina de São Paulo, a se unirem num só objetivo: Tornar esse venerando sodalício cada vez mais conhecido, engrandecido, respeitado e cobiçado!
Não há dúvida nenhuma de que a Academia de Medicina de São Paulo sempre foi prenhe de excepcionais talentos científicos, humanos, didáticos, investigativos, éticos e intelectuais, que não somente perfazem seu maior patrimônio! – aliás, dificilmente, em sua abrangência e diversidade, de ser encontrado em quaisquer outras entidades de classe –, mas que, por si mesmos representam a própria essência da medicina!
As entidades se tornam fortes, produtivas, afamadas e reverenciadas quando seus membros disponibilizam abnegadamente suas respectivas presenças, tempo e expertises em prol do seu engrandecimento. Oxalá, esse seja o grande objetivo que congregue os ilustres membros da augusta Academia de Medicina de São Paulo, subentendido no lema desta gestão!

Presidente 2023-2024
[1] Asclépio – Boletim da Academia de Medicina de São Paulo – Ano 14, no 30 (julho a dezembro): 1, 2023 (Editorial do Presidente).
Obrigado!